quarta-feira, 19 de novembro de 2025
2025 PALAVRA LIVRE - PLANO DIRETOR
Participação da Profª Drª Edilene Soraia da Silva sobre o Plano Diretor em Tramitação na Câmara de Vereadores
Texto na Íntegra
Boa tarde a todos!
Meu nome é Edilene Soraia da
Silva, sou bióloga, professora aposentando e vim hoje a esta casa legislativa,
com todo respeito, como vice-presidente voluntária da AMECA, e também pela
minha opinião pessoal, solicitar aos nossos vereadores a tramitação, votação e
aprovação do Plano Diretor de 2017, entregue à Câmara pela primeira vez em
dezembro de 2019, portanto, ainda irá fazer 6 anos e não mais de 10 como já foi
falado aqui. Entendemos que foi muito atualizado e ajustado para substituir a Lei
Municipal 763, de 1981, vigente há 44 anos. E vejam que esta ninguém diz que
está defasada, desatualizada ou errada.
Este PD é resultado de ampla
consulta pública, com representantes de todos os bairros e entidades de
classes, significando a vontade popular em prol da natureza e do
desenvolvimento econômico – sustentável para nosso município. E sua tramitação
nunca foi contestada judicialmente.
E se como dizem, há falhas no
texto, sabemos que nunca agradará a todos, porém, foi votado por maioria e com
suporte técnico de especialistas como da AMUNESC. Se deixou de atender a alguma
questão isso pode ser proposto em alteração, conforme diz a Lei Orgânica do
município, no Art. 127 “A lei de
zoneamento urbano somente poderá ser alterada uma vez em cada ano.” portanto,
é passível de reformulações nesta casa a cada ano, se assim se fizer necessário
considerando a viabilidade técnica e de anseio da população local.
Em nome do nosso povo, e de quem
participou destas decisões e pelos anseios destes, deve ser sim respeitado. E
venho dizer, que a maioria dos presentes na revisão do Plano Diretor, disseram
que não querem mais portos, dada a grande depredação ambiental que o que temos
já provoca. E isto foi referendado em todas as localidades do município pela
população que participou da revisão do PD entre 2017 e 2019. Esses documentos e informações, como previsto
em lei, devem estar à disposição dos senhores e de todos, nos sites tanto da
Câmara, como da Prefeitura até a aprovação deste Plano Diretor.
A População presente na
revisão do PD, definiu como valorização do município a preservação ambiental e
seus atributos turísticos, citaram a beleza dos morros a serem preservados, ou
seja, em geral a natureza, habitat de milhares de espécimes de fauna e flora
complexa, silvestre e em plena ascensão com ressurgimento de espécies até
consideradas erradicadas como o pássaro Guará, como o cachorro do mato, as
lontras etc. Evidências do sucesso da preservação ambiental por aqui.
As terras dos povos
originários, como define a Constituição, também foram e devem continuar preservadas
na proposta do Plano Diretor.
A população presente e os
Delegados eleitos nas localidades, votaram por não permitir sombreamento nas
praias e como as diversas praias têm configurações distintas, foi assegurado na
última Audiência Pública em 2019, que essa questão seria regulamentada. Hoje
conhece-se a Lei complementar nº 47/dez 2000, do Rio de Janeiro, que pode ser
aplicada de forma imediata após a aprovação do PD com uma simples regulamentação
do Executivo.
Grandes avanços foram
propostos como os Corredores Ecológicos e as Zonas de interesse Turístico nas
localidades da Enseada, Paulas, Praia do Lixo e Vila da Glória.
Alguns Vereadores criticam e
não querem votar o Plano Diretor porque não concordam com a medida do geminado
proposto com 6m, mas esses Vereadores podem pedir a alteração no ano seguinte à
aprovação do Plano Diretor. Ser contra somente por esta questão, justifica
desconsiderar tudo que foi proposto nas audiências públicas, democráticas e
participativas.
Se muitos Vereadores, não
participaram da revisão do PD, aberto a toda a população, não podem aguardar 1
ano, para pedir alteração ou as Emendas que alguns dizem que precisam
apresentar?
Estranho é não reclamarem da lei
atual, que tem 44 anos, e ainda questionam este PD que foi apresentado há menos
de 6 anos na Câmara e que as Diversas gestões anteriores ainda não aprovaram.
A intenção é fazer passar 10
anos, para exigir novo Plano Diretor, onde o poder público dispenderá de novos
recursos, mais tempo de suas equipes técnicas, quando isso já foi feito
contando com os técnicos designados por Decreto e os especialistas da AMUNESC,
e já tramita há quase 6 anos sem aprovação?
O PD foi entregue novamente,
na Câmara em março de 2025 sem nenhuma alteração proposta pelo Prefeito, o
Líder do Prefeito na Câmara sugere aprovar como está, então o que está
impedindo os Vereadores de tramitarem e aprovarem? Se há contestação e propostas
de Emendas, solicitamos e aguardamos que as apresentem a público.
O PD já passou pela Comissão
de Legislação e Justiça? Que seria a 1ª Comissão que poderia apresentar alguma
ilegalidade?
Queremos dos Srs. Vereadores,
além da dedicação à tramitação do Plano Diretor, que também haja dedicação às
questões de saneamento básico, ajuda à população de baixa renda para fazer as
ligações necessárias ao sistema de esgoto, dedicação à distribuição de água
para todos diariamente, como manda a lei, dedicação aos assuntos de defesa
animal com apoio aos tutores humildes e amparo aos animais errantes, à
regularização de imóveis, dedicação à conclusão de obras inacabadas, que estas
sim, atrasam o progresso da cidade. Como a urgência no desvio da rota dos trens,
a duplicação da BR 280, a ineficiência na mobilidade da SC 415, falta de um
trajeto seguro no Centro para a mobilidade dos pedestres, a interligação das
ciclovias nos balneários etc.
As questões culturais, de
qualidade de vida e de belezas naturais com medidas de segurança e atendimento
à saúde, são anseios para a população residente, atraem turistas e fazem girar
nossa economia que é de comerciantes e pescadores em sua maioria.
Como impulsionador de
desenvolvimento de vários vetores é importante procurar saber por que a Sede e
Centro de Visitações do Parque Estadual Acaraí não está pronta? Sendo que temos
a riqueza aqui pela preservação integral, de nada menos que 7 diferentes ecossistemas
de Mata Atlântica, bioma já esmagadoramente reduzido e sem chance de equilíbrio
ecológico com tantas ameaças aos seus poucos espaços remanescentes.
Qual a perda de potencial
turístico, do setor econômico e do desenvolvimento socioeducativo com a falta
da Sede e Centro de Visitações? Eu participei das oficinas para estabelecer o
Conselho Consultivo do Parque em 2006 e contribuí com as propostas do Plano de
Manejo, mas a construção se aguarda desde 2013 quando foi liberada a verba da
Compensação.
Quanto poderia ser
desenvolvido ali no Parque com as trilhas demarcadas, o arvorismo, atividades
de lazer e estrutura para estudos científicos? Quanto poderia ser desenvolvido
com a capacitação para jovens guias de turismo regulamentados, fotógrafos profissionais
e amadores, fomento para população tradicional do entorno do Parque gerando
renda com a venda de seus produtos artesanais e gastronômicos?
Há muito potencial em São
Francisco do Sul, a cidade está ficando linda e queremos sim o progresso
responsável, além de sustentável, mas a realidade requer respeito por várias
questões como descreve o Estatuto da Cidade, Lei Federal que foi rigorosamente
aplicada na revisão do novo Plano Diretor, sem que esqueçamos do que é mais
importante, que é a nossa natureza cultural, geográfica e biológica.
Por isso viemos hoje pedir
agilidade para aprovação do Plano Diretor como foi novamente entregue pelo
Prefeito à Câmara, em março deste ano. E a título de informação trago 3
considerações oportunas:
1) Srs. vereadores, até a aprovação do PD, todos os documentos
produzidos, desde 2017 a 2019, referentes ao mesmo, têm de estar dispostos nos
sites tanto do Executivo como do Legislativo. Os Srs. Vereadores já conferiram
se esses documentos estão na íntegra nestes 2 sites?
2) Tem um cidadão que acusa publicamente a
AMECA de querer Judicializar o Plano Diretor. Não, a AMECA, não tem por
princípio a judicialização, mas sim o diálogo e isso tem sido feito sempre
escrevendo aos Vereadores para que chamem as equipes Técnicas, definidas por
Decreto do Prefeito, para tirar as dúvidas do que precisarem e também pedir o
apoio especializado da AMUNESC. Se a questão não for tramitada em conformidade
com a lei e com os interesses e direitos coletivos, não só a AMECA, mas
qualquer cidadão deve representar ao Ministério Público.
3) Por fim e não obstante,
imperioso frisar que tramitou uma ação judicial movida pelo Ministério Público
contra a Câmara de Vereadores, onde a própria Câmara acatou integralmente as
diretrizes estabelecidas na Recomendação 0002/2024/03PJ/SFS, visando garantir a
participação popular, a transparência e, sobretudo, a segurança técnica e
ambiental das decisões da Câmara, sendo certo que, conforme Cláusula 5ª da
referida recomendação “somente serão submetidas à votação as emendas
supressivas, aditivas ou modificativas que não tiverem sido rejeitadas por
qualquer um dos estudos técnicos apresentados pelo Legislativo ou Executivo”. Ou
seja, eventuais alterações do projeto de lei do plano diretor, na atual fase,
para além de constituir uma ofensa ao acordo homologado judicialmente com o
Ministério Público, demandaria novos estudos técnicos e novas reuniões com a
comunidade, atravancando ainda mais esse processo legislativo que perdura há
anos por ineficiência da própria Câmara.
Como cidadã francisquense,
vejo com muita preocupação as grandes investidas do mercado imobiliário e de
empresários para alterar coisas de importância muito relevantes, que
descaracterizariam tais anseios da população e de seus representantes, que
participaram durante dois anos, de intensas reuniões e Audiências Públicas.
Grata pelo espaço e acompanharemos
confiantes que irão refletir e honrar os votos recebidos dos nossos munícipes e
colocamo-nos à disposição!
CARTA ABERTA
Assunto: Descumprimento da
Cláusula 5ª do Acordo Homologado Judicialmente e Violação ao Princípio da
Prevenção na Revisão do Plano Diretor.
A Associação
Movimento Ecológicos Carijós (AMECA), no uso de suas atribuições e como voz
ativa da sociedade civil organizada, vem a público manifestar sua profunda
preocupação e veemente repúdio à recente movimentação da Câmara de Vereadores
de São Francisco do Sul, no sentido de criar uma nova Comissão para análise do
Projeto de Lei Complementar nº 005/2021, que trata da revisão do Plano Diretor
de nosso município.
Tal iniciativa,
que visa claramente a reinserir e reanalisar emendas já rejeitadas
tecnicamente, representa um grave retrocesso e um flagrante desrespeito a um
acordo firmado e homologado judicialmente.
Conforme é de
conhecimento público, o Ministério Público do Estado de Santa Catarina (MPSC),
por meio da Recomendação nº 0002/2024/03PJ/SFS, estabeleceu diretrizes claras
para a condução da fase legislativa da revisão do Plano Diretor, visando
garantir a participação popular, a transparência e, sobretudo, a segurança
técnica e ambiental das decisões. A Câmara de Vereadores, em um ato de
responsabilidade e concordância, acatou integralmente a referida
recomendação.
O acordo foi
posteriormente homologado em juízo, no âmbito da Ação Civil Pública nº
5001652-95.2024.8.24.0061, tornando-se uma decisão com força de lei a ser
seguida. A Cláusula 5ª do acordo é inequívoca ao determinar que:
"Somente
serão submetidas à votação as emendas supressivas, aditivas e modificativas que
não tiverem sido rejeitadas por qualquer um dos estudos técnicos apresentados
pelo Legislativo ou Executivo."
Esta cláusula,
fundamentada no princípio da prevenção, é a salvaguarda de nosso
município contra alterações urbanísticas desprovidas de embasamento técnico,
que poderiam gerar impactos ambientais e sociais irreversíveis. Ela garante que
o processo de votação seja um ato de responsabilidade, pautado pela ciência e
pela legalidade, e não por interesses políticos momentâneos.
A intenção de
formar uma nova comissão para "revisitar" ou "promover novas
emendas" sobre temas já analisados e tecnicamente reprovados é uma
tentativa de contornar a decisão judicial e o acordo firmado. É inadmissível
que, após a contratação de consultorias técnicas tanto pelo Executivo quanto
pelo próprio Legislativo — com dinheiro público — e a consequente rejeição de
dezenas de emendas por falta de viabilidade, se busque agora uma manobra para
reintroduzi-las no debate.
A AMECA reitera
que a segurança jurídica e o respeito às instituições são pilares da
democracia. A Câmara de Vereadores, ao acatar a recomendação do MPSC e ver essa
decisão homologada pela Justiça, comprometeu-se com a população de São
Francisco do Sul a seguir um rito processual técnico e seguro.
Qualquer
tentativa de descumprir a Cláusula 5ª será não apenas um ato de má-fé com a
sociedade e com o Ministério Público, mas também um desrespeito direto a uma
ordem do Poder Judiciário, sujeitando os envolvidos às devidas sanções legais.
Diante do
exposto, a AMECA exige que a Câmara de Vereadores de São Francisco do
Sul:
1. Cumpra
integralmente o acordo homologado na Ação Civil Pública nº
5001652-95.2024.8.24.0061.
2. Abstenha-se
de criar comissões ou qualquer outro mecanismo que vise reanalisar ou
reintroduzir emendas já rejeitadas pelos estudos técnicos.
3. Proceda
à votação do Projeto de Lei Complementar nº 005/2021 levando em
consideração apenas as emendas que obtiveram parecer favorável
de ambos os estudos técnicos, conforme estipulado na Cláusula
5ª.
A sociedade
civil e as instituições de controle estão vigilantes. Não permitiremos que o
futuro de São Francisco do Sul seja decidido por meio de artifícios que ignoram
a ciência, a lei e o bem-estar coletivo.
São Francisco
do Sul, 02 de setembro de 2025.
Atenciosamente,
Associação Movimento
Ecológicos Carijós - AMECA
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Participação da Profª Drª Edilene Soraia da Silva sobre o Plano Diretor em Tramitação na Câmara de Vereadores Texto na Íntegra Boa tarde a ...
